quarta-feira, 26 de maio de 2010


Quem nunca ouviu falar em Pasárgada?Pode não ter sido exatamente com esse nome ou dessa forma, mas com certeza já sonhou com um lugar parecido.

Pasárgada

(Manuel Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

segunda-feira, 29 de março de 2010


No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra


Isso lembra minha 8ª série. Uma das melhores épocas da minha vida. Esse poema era motivo de comédia da turma.(Não estou ofendendo ninguém que goste dele, mas que era engraçado...isso eu não posso negar.)

Saudades!!!


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Liberdade???


O que é a liberdade se não podemos tê-la por completo?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

domingo, 6 de dezembro de 2009

Se os Tubarões Fossem Homens - Bertold Brecht


Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

terça-feira, 27 de outubro de 2009


Fin de siècle. O ambiente intelectual é denominado por um profundo sentimento de relatividade que justifica o subjetivismo e suscita a inquietude. A influência do pessimismo alemão (Schopenhauer) une-se a um darwinismo compreendido de forma igualmente trágica: o homem é um animal efêmero sobre um globo perdido na imensidão do Universo.
Não é preciso ser um estudioso ou naturalista para perceber isso. Respira-se este ar de incerteza derivado de uma desilusão radical: a ciência é apenas uma definição humana, estamos fechados em nosso espírito - sem remédio.
Spencer ilustra essa atmosfera com uma frase exemplar: " O desenvolvimento da ciência só fez aumentar seus pontos de contato com o desconhecido que a rodeia". À extenuação da fé vêm se juntar os temas da falência da ciência e da psicologia da época.

Guy de Maupassant.

Difícil não concordar com isso.


Obs.: Não continuarei com a história anterior. Deu preguiça.

domingo, 5 de julho de 2009

Rítmica Barcarolla.


"Tipo de cantiga de amigo característico da lírica galego-portuguesa e que acolhe temas ligados ao mar ou ao rio. O sujeito destas composições acha-se invariavelmente perante as ondas do mar ou as margens dos rios a quem confia as suas mais íntimas inquietações.Os cancioneiros medievais contêm bastantes exemplos, assinados por trovadores como Estevão Coelho, Meendinho, Martin Codax, João Zorro, Gomes Charrinho e Nuno Fernandes Torneol. O estudiosoVicenç Beltrán é de opinião que este tipo de cantiga não deve ser individualizado dentro da terminologia medieval (v. “Barcarola”, in Biblos, vol.1, Verbo, 1995)."

Basta as poucas palavras ali destacadas.


Não é necessário "um mundo" de palavras para demonstrar o sufoco na expressão de um indivíduo. Observe o quanto ele anda sumido e calado para entender que algo anda errado. (Com exceção dos poucos, que sempre foram de poucas palavras). VOLTEI! E isso me agrada.



Faço o meu tempo, equilibro minhas idéias, às vezes torturo meus sentimentos, invento meu mundo, e ainda acredito esqueço o que pode acontecer com meu futuro...ele me dá medo! E ainda sim, a Barcarolla continua.